quinta-feira, 12 de junho de 2008

Teledramaturgia e a Mutação dos Novos Tempos

Por Helena Luiz
Novas técnicas nas produções novelísticas marcam a criação visual e evidenciam a complexidade no produto final dos folhetins. Pergunta-se: e a essência da teledramaturgia? Onde está? Surge um novo tempo e com ele mutações no universo da dramaturgia.
O surreal se mistura com o real, como no caso do folhetim: Os Mutantes!
Novelas, como muitos de nós sabemos, são formadas por um enredo principal e diversos enredos secundários. Mas por incrível que pareça, com essa estrutura e filosofia dos Mutantes, a
Record reiventou uma linguagem para a teledramaturgia e começa traçar um marco na história da televisão brasileira. A trama é até bem divertida para aqueles que são fãs dos seriados Ex-Man, Heroes e outros do gênero.
A história pouco emociona, ao contrário do que fazem as novelas. É difícil de acreditar que este estilo funcionasse em telenovela. A emissora aposta na segunda parte da novela Caminhos do Coração, intitulada de Os Mutantes - Caminhos do Coração e, ao que tudo indica, tem conseguido alcançar a proposta da produção.
A teledramaturgia é recheada de ficção traçando um paralelo com o cotidiano das pessoas. O telespectador está inserido de certa forma naquilo que está sendo contado na tela. É um meio dele enquanto espectador fazer sua catarse e de se ver retratado. A telenovela lida com o imaginário da pessoa, não abusando de sua inteligência. O autor ao escrever um conto, quer que o telespectador acompanhe o desenrolar da história, torça, emocione-se, participe! E no folhetim “Os Mutantes”, desculpe-me o autor da trama, isto não acontece!

Uma das novelas mais bonitas, sensíveis e comoventes a que assisti até hoje foi “Selva de Pedra” de 1972, de Janete Clair, que foi reprisada em 1975 devido ao grande sucesso, ano em que pude acompanhar a trama. Foi a maior audiência até hoje na história das telenovelas. A novela registrou 100% de audiência no último capítulo em que a personagem Simone (Regina Duarte) e o galã da trama, Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco), finalmente se acertam e sobem em um belo navio ao som de “rock and roll lullaby”. Esta cena provocou lágrimas em muitos espectadores, inclusive em mim, uma criança de 8 anos de idade. Essa novela foi meu primeiro contato com o mundo ficcional. Nunca mais deixei de ver novelas pela lente da genialidade que a ficção me proporcionava.
Janete Clair, carinhosamente chamada por Carlos Drummond de Andrade de “usineira de sonhos”, sabia escrever uma boa trama. A autora dizia: "É pecado você dar uma distração ao povo brasileiro? A vida já é tão dura, a gente já luta tanto. Com exceção da novela, o resto é tudo ruim. Então vamos alegrar povo". Morta há duas décadas, em 16 de novembro de 1983, a autora segue como forte influência da teledramaturgia brasileira.

Os aspectos emocionais da vida existiam, é claro, mas estavam submersos e invisíveis, colocados embaixo das questões práticas de todos os tipos. Para se escrever uma novela, não existe uma fómula. O autor tem que brincar com as idéias e dali tirar um bom casal, uma boa trilha sonora, uma boa história, um bom pano de fundo para o cenário da trama e esse pode ser o ponta pé inicial para que uma história seja assistida.
Tenho a impressão de que esses tempos já se foram e que, hoje em dia, as telenovelas não passam pelo processo da essência da sala do telespectador. É evidente que há grandes avanços tecnológicos porque “o tempo não pára”, o que é uma pena! Com isso, surge a forma mais sórdida e maldosa que existe para fazer novela: a da “metamorfose”.

A melhor novela dos últimos tempos: Selva de Pedra






2 comentários:

Chris disse...

Pôxa, qdo eu vou participar da enquete, ela já está encerrada!
Hunf!!!
Concordo com seu texto..
saudades de " A gata Comeu", "Sol de Verão", "Fera Radical", "Roque Santeiro" e outras mil........
Hj tudo virou fábrica de ex BBBs
ex paquitas ex modelos, enfim!!

cristiano disse...

Concordo plenamente com vc grande Helena, agora minha amiga. rsrs. Na briga pela audiência autores acabaram perdendo um pouco de conteúdo em suas histórias, e trazendo assim novelas com pouca qualidade, sem empolgação. Saudades de novelas com bom textos, boas histórias e bons atores.