terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Nossa Entrevistada, Eliana Pace!

Por Helena Vitória

Transformar um país ou trabalhar no sentido de mantê-lo mais culto é tarefa para pessoas perseverantes e que valorizam o conhecimento humano. Para dar sua rica contribuição à história das letras, a paulistana Eliana Pace, jornalista, relações públicas e diretora da Pace Consultoria em Comunicação na capital paulista, atua no mercado editorial há mais de dez anos e, desde 2004, colabora com a Coleção Aplauso da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo na qual apresenta aos brasileiros um projeto cujo objetivo é resgatar e preservar a memória da cultura brasileira, biografando uma personalidade do teatro, televisão, música, artes plásticas, cinema, esporte, literatura, ou de outra área de atuação, que, por meio de sua atividade, contribui com a sociedade.

Sabe-se que relatar fatos do cotidiano talvez não seja tarefa muito fácil para quem se propõe a narrá-la. Esses relatos devem ser didáticos, claros e cheios de intensidade. Assim, garante-se que o leitor chegará ao fim da história. Seguindo esse raciocínio, “mestres das palavras” costumam usar seus textos para manter viva nossa história cultural. Por esse prisma, a veterana jornalista dedica-se a essa cuidadosa elaboração, valendo-se de informações precisas numa linguagem coloquial que, com elegância, consegue exprimir as sensações, amores, alegrias, dores, temores, as angústias, perdas e ganhos, preservando sem questionar as individualidades de cada um dos seus biografados. O resultado é um presente para o público que recebe uma história coesa, aproximando o entrevistado do leitor.

A escritora opta pelo registro, quase em formato de crônica, para compor essa coleção, que se lê mais como um agradável romance episódico do que uma biografia oficial ou fonte de pesquisa. Tudo é tão fascinante quanto “inalcançável” para a maioria de nós pobres mortais. A fim de trazer o assunto um pouco mais perto do leitor, Eliana debruça-se por seis meses sobre todo o material selecionado, procura ouvir o biografado e pesquisar tudo o que fez ou faz parte do seu convívio (correspondências, família, amigos, fotos e outros). Vale lembrar, que o bacana desse projeto é que o homenageado recebe a honraria ainda em vida. Já de início, a biógrafa esclarece: sua meta é mostrar o sopro do gênio do perfil, por meio do seu cotidiano. Assim, fica fácil conduzir o leitor por uma paisagem mais real.

Historiadora das mais competentes, sua obra tem o realismo das descrições. A soma de conhecimentos literários e o tratamento estilístico que empresta à obra lembram a influência das epopéias antigas, gênero épico clássico, com a interferência dos deuses. Ainda que tal trabalho não sejam as aventuras narradas nos escritos de Homero. Eliana nos brinda sempre com um livro magistral. Um de seus últimos trabalhos, “Nivea Maria – Uma Atriz Real” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008 - 244 páginas) foi escrito em parceria com o Mestre e Doutor em teledramaturgia pela USP, Mauro Alencar, consultor da Rede Globo de Televisão.

Para apresentar parte desse rico trabalho, a jornalista concedeu aos amigos imortais um bate papo bem agradável para fomentar esse espaço, que é dos amigos!

Blog: Quantas obras levam sua assinatura?
Eliana: Pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, assino as biografias dos atores Renato Consorte, Vera Nunes, Geórgia Gomide e Paulo Hesse, a da dramaturga Leilah Assumpção e a do compositor e cantor Sérgio Ricardo. Em parceria com Mauro Alencar, fiz as biografias de Nivea Maria, lançada também pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, de Elisabeth Savalla, em fase de aprovação, e a história da TV Paulista (essa ainda não foi lançada). Colaborei ainda com Renata Soffredini na biografia de Carlos Alberto Soffredini, dramaturgo.


Qual a data exata em que começou a biografar?
Comecei em 2005, com duas biografias ao mesmo tempo: Renato Consorte e Leilah Assumpção.

Quanto tempo se leva para completar uma biografia?
Aproximadamente seis meses com exceção da TV Paulista, que demandou quase quatro anos de trabalho.

Quais os objetivos de um projeto como esse?
As biografias lançadas pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, dentro da Coleção Aplauso, têm como objetivo o resgate e a preservação da memória da cultura brasileira por meio da história, narrada em primeira pessoa.

Como ocorreu a parceria Eliana Pace e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo?
A Imprensa Oficial do Estado selecionou profissionais com experiente currículo em jornalismo cultural para escrever as biografias, porque este gênero tem elementos de reportagem. Os jornalistas sabem perguntar, ouvir e organizar as informações. Rubens Ewald Filho, crítico de cinema e coordenador da Coleção Aplauso, um grande amigo desde a época da Faculdade de Jornalismo (que cursamos juntos), convidou-me pessoalmente para me integrar ao grupo. Adorei fazer esse trabalho porque uni o prazer em ouvir à escrita da história de vida dos outros e fiz amigos muito queridos entre os meus biografados.

Qual o público alvo da “Coleção Aplauso”?
São livros que não atingem um público específico. Além de atrair o leitor comum, direcionam-se a todos que queiram ler uma boa história.. Interessam igualmente aos estudiosos das artes cênicas. Os exemplares são distribuídos para bibliotecas.

O processo da elaboração da obra, os encontros com o entrevistado, horas e horas ouvindo suas narrações, se assemelham a uma sessão de psicanálise? O jornalista/biógrafo acaba fazendo este papel?
Em principio, se não houver empatia entre biografado e jornalista, a obra não avança. Tem que haver entre as duas partes respeito. Principalmente da parte do jornalista. Não basta só o conhecimento da obra do artista, mas o carinho pelo seu biografado. Pelos muitos encontros, não é raro que eles se tornem amigos íntimos.
Cada um dos meus biografados me deixou uma lição de vida. Renato Consorte, durante as entrevistas, me fazia rir e chorar. Leilah Assumpção é a dramaturga das mulheres da minha geração que rompeu barreiras, ou seja, havia um entendimento tácito entre nós por conta das nossas vivências. É minha grande amiga até hoje. Vera Nunes eu a conhecia socialmente, até que sugeri ao Rubens Ewald que ela fosse biografada. Geórgia Gomide, que perdemos há pouco tempo, passou a sair comigo para passear. Íamos ao teatro, viajávamos juntas. Ela me levou para conhecer o Projac... Infelizmente, não conseguimos realizar a montagem do curta metragem que escrevi para ela encenar.

Li uma vez em algum lugar (não me recordo agora), que normalmente o biógrafo “apaixona-se” pelo biografado e o isola no tempo e no espaço como se ele não pertencesse a um espaço cronológico e a cultura desse tempo. Você acredita nisso ou acha que há um exagero por parte de quem fez essa fala?
Não há exagero na afirmativa, porque quem escreve uma biografia tem que ter, no mínimo, respeito e carinho por seu biografado. Comigo aconteceu um fato marcante. Eu era apaixonada pelo compositor Sergio Ricardo desde a minha juventude, quando dava aulas de violão em Santos, e tinha todos os seus discos, dos antigos LPs aos atuais CDs. Nunca havia tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. E, quando me foi dada a chance de biografá-lo, pedi 24 horas para estabelecer um primeiro contato com ele, pois precisava controlar a emoção. Firmou-se entre nós uma enorme amizade e, em um dos encontros em minha casa, pedi a ele que autografasse todos os meus LPs e CDs. Rimos muito dessa situação. Em uma entrevista que ele deu para o jornal O Estado de São Paulo, o violão que ele abraça, é o meu!

Já aconteceu de em um determinado capítulo do livro, o entrevistado lembrar-se de um momento emocionante que vivenciou em alguma época, se emocionar e levar o entrevistador ao mesmo sentimento?


Com Renato Consorte, ri e chorei durante o processo do livro. Senti-me uma espectadora privilegiada porque era única em determinadas cenas, por exemplo, quando ele contava uma piada só para mim e me fazia gargalhar. Quando narrou o gravíssimo acidente de avião que sofreu, nós dois choramos.
Com Sérgio Ricardo, nossos primeiros contatos foram feitos por e-mail, porque ele mora no Rio e eu em São Paulo. Mandei a ele algumas perguntas sobre a família, para que me respondesse. O material era tão emocionante que transformou-se no primeiro capitulo de sua biografia. Ele preferiu que eu assumisse o texto para não se emocionar mais.

Mia Couto, jornalista e autor de vários livros, em seu “Poema da Despedida”, afirma: “Nenhuma palavra alcança o mundo, eu sei. Ainda assim, escrevo”. Você também pensa assim?
Sou uma profunda admiradora de Mia Couto e é possível que ele tenha razão. Nenhuma palavra alcança o mundo, mas se alcançar uma parcela ínfima que seja de pessoas, ainda assim terá semeado ideias e sentimentos.

Em um país considerado “sem memória”, você acredita que, com uma obra dessas, é possível exercer a atração pela leitura?
Juntemos essa afirmação ao culto da celebridade, ao sucesso instantâneo. Se o brasileiro tem tanta curiosidade pela vida de um BBB qualquer, deveria ter também pela história de um ser humano com mais consistência e valores, por assim dizer. O ser humano é sempre o personagem principal de qualquer história, seja uma personalidade ou um anônimo, um avô ou um mestre. Todos têm um tipo inesquecível.

Ao narrar um perfil você costuma pensar: “Trata-se de uma contribuição a mais na valorização da cultura brasileira?”.
Sim, no caso da Coleção Aplauso, são histórias tão ricas de vida, que vale a pena serem levadas ao conhecimento público.

Desse valioso acervo humano, o que mais destaca?
Ganhei amigos preciosos. Leilah Assumpção diz que transformei sua história de vida em uma pequena obra prima. No livro de Sergio Ricardo, mostrei que sua biografia é muito mais ampla e consistente do que o episódio do violão quebrado num festival de música popular.

Você não escreve apenas para a Coleção Aplauso. Existem títulos de ficção com seu nome. Como é transitar entre a ficção e a realidade?

São sintonias diferentes. Mauro Alencar recebeu da Editora Globo a incumbência de transformar em livros cinco grandes novelas: Roque Santeiro, Pecado Capital, Selva de Pedra, Vale Tudo e O Bem Amado. Topei o desafio e, praticamente em dois meses, finalizamos os livros que foram comercializados, inicialmente, nos catálogos da Avon. Até hoje, agradecemos a oportunidade dessa experiência super gratificante para nós dois, pelo prazer e privilégio de conhecer o texto de grandes autores como Janete Clair e Dias Gomes.

Deixe-nos algumas reflexões:

Prefiro pecar por excesso de ação do que por omissão. Vale para a vida real e a profissional”.

Uma vida de sucessos não rende necessariamente uma boa biografia”.



O universo intimo de cada pessoa e sua história de vida são especiais não apenas para quem com ela conviveu, mas para aqueles que conhecem de longe sua trajetória de sucessos ou dores”.


Fonte da foto: Acervo da entrevistada

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

GABRIELA! Uma raridade encontrada em Portugal.

Por Helena Vitória

Em 1977, em Lisboa/Portugal, foi publicado o livro “Gabriela – O folhetim da TV em fotonovela”(a raridade das imagens).

Assim começa a história da novela Gabriela: Corria o ano de 1925. O nordeste brasileiro conhecia uma das maiores secas de sempre. Completavam-se dois meses sobre a terrível calamidade quando, numa cidadezinha chamada Ilhéus, que começava a ser considerada “por todo mundo como a Rainha do Sul” e onde só se falava em progresso, os fazendeiros do cacau, de acordo com uma sugestão do padre Basílio, pároco da cidade e também fazendeiro, concordaram em unir todas as forças religiosas da população e dedicar a procissão daquele ano aos três santos da terra: São Jorge, Santa Madalena e São Sebastião. A ideia do padre Basílio foi especialmente bem recebida pelo intendente de Ilhéus, coronel Ramiro Bastos, velho fazendeiro, viúvo – o homem que se podia considerar “dono da cidade”.

Vamos relembrar as músicas que fielmente retratam a mulher brejeira na sua libidinagem nata da natureza: Gabriela, cravo e canela! Pintada e idealizada pelo saudoso Jorge Amado, a personagem ganhou vida com a interpretação majestosa da atriz Sônia Braga, em 1975. O destaque da trama ficou por conta da primeira noite de amor entre Gabriela e Nacib (Armando Bogus).

Modinha para Gabriela
Canta Gal Costa
http://www.youtube.com/watch?v=KqBRcHU0xAI

Alegre Menina
Dorival Caymmi – Canta Djavan
http://www.youtube.com/watch?v=LrbHxYVnAe8&feature=related

sábado, 31 de dezembro de 2011

Boas Festas e um ótimo 2012!

Achei o texto abaixo, magnífico! Espero de alguma forma, mudar o curso da minha vida no próximo ano. Principalmente, na questão do amor. Ah, o amor! Sempre bandido, nos pregando peças...

"Aos queridos amigos um ano novo cheio de realizações e esperança, porque no fim das contas é ela que procuramos, aquela coisa emplumada que pousa leve na alma. Desculpem a falta de tempo, a falta de jeito e recebam meu carinho, meus abraços e meus beijos. Amor e paz! O resto a gente faz! O sorriso do gato no ano bom.

Para ser franco, não tive tempo de tomar nenhuma resolução, nesta virada de ano, neste final de milênio tão cantado em verso e prosa. E sei que essas resoluções de fim de ano fazem parte do calendário, fazem parte do ritual, ainda que fiquem abandonadas, num canto, logo depois de pronunciadas. Mas o fato é que o ano já prepara seu último suspiro e nenhuma resolução foi tomada. Nenhuma mesmo. Talvez não tenha tido, igualmente, o desejo a me guiar, aquela vontade de mudar algum rumo, alguma história. Até para isso ando cansado. Estamos todos cansados, pensando bem. Não sinto a urgência de mudança nos ares e brisas deste verão chuvoso. Finalmente, eis que é chegado o novo milênio, com direito a um céu de artifícios, e tudo o que quero é olhar para trás e deixar o meu olhar se perder nas imagens que fui amealhando pelo caminho. É só o que quero, acreditem. Um avestruz saudosista, é assim que me sinto, enquanto o milênio me atropela, sem que ninguém tenha anotado a placa.

(Fecho os olhos e vou pincelando um céu de ano novo, os pontos de luz se abrindo no céu, como flores brilhantes. Holy chorava no Posto 6, já perto do forte, depois da Rainha Elizabeth. Eu passei o braço por cima de seus ombros que subiam e desciam, saltando no ar,com os soluços e os espasmos do pranto. Acima de nós, o céu era um jardim todo colorido. Sem saber o que fazer, sem nenhum linimento que abrandasse a dor daquele coração, eu ia repetindo baixinho: já passou, já passou, como quem diz uma reza. Lembro dos olhos de Holy, um verde azulado boiando no mar de suas lágrimas. A nossa frente o ano bom de tempos atrás. E, anos depois, num outro céu de réveillon, era eu quem chorava e era de Holy o braço que me amparava. Uma mão lava a outra e um ombro se empresta com generosidade, nessas datas tão cheias de emoção.)

O que é que gostaríamos realmente de fazer nesta virada? Onde dormem esses nossos desejos mais secretos? Às vezes, eles se escondem tão bem que a gente sabe de sua existência, mas não consegue encontrá-los. Aquela vontade de mudar o rumo, arrumar toda a vida numa só bagagem e partir. Eu tenho a impressão de que a grande maioria das pessoas tem essa fantasia secreta (ou nem tão secreta assim): a de mudar o rumo de suas vidas, recomeçar. Outra vez. Duas palavras mágicas. ( Além dos fogos de artifício, há outras manchas de luz na noite estrelada. Os lampiões de querosene e os puçás com as iscas sangrentas amarradas com barbante, na pesca do siri. Os pés afundando na areia, um mundo de mistérios e terror na água escura. Quando a maré recolhia seu manto, os lampiões eram acesos e o barco colocado na água. Às crianças era permitido brincar na areia, contando e recontando o número de siris apanhados. À luz alaranjada das lamparinas, os vultos iam mar adentro, empurrando a água com os quadris. Os remos batendo na superfície d’água iam fazendo um ruído gostoso e toda palavra era dita em sussurro.)

A minha fantasia de sempre: um quiosque na Finlândia. Não sei porquê, mas sempre invento que vou abandonar tudo e recomeçar na Finlândia, vendendo sorvetes num quiosque. Essas resoluções não tomadas, mas que são a esperança de tornar a escrever a própria história. Mudar um pequeno detalhe, que seja. Poder voltar atrás e não dizer aquela palavra que magoou um coração, não fazer aquele gesto, não virar as costas, quando era hora de abraço. Se pudéssemos ter a certeza do quiosque na Finlândia…

(Entre as noites de lampiões, havia a grande noite da virada e a areia da praia cobria-se de flor e oferenda. O batuque e a vibração das palmas, as manchas brancas evoluindo na areia. Caboclos e pretos velhos, entidades d’além-mar soprando um vento morno na memória. Essa fé de várias raças se encontrando nas crianças do continente é que é bonito de se ver. Esse anjo de procissão que ondula os quadris ao som da batucada, enquanto empurra para o mar seu barco de espelhos e perfumes. Sua oferenda para a rainha das águas. Deusa. Como é que conseguimos ser tão mágicos e tão idiotas ao mesmo tempo?)

Vamos todos fazendo nossas listas de desejos secretos, aqueles que não temos coragem de confessar às paredes.Talvez seja o peso do milênio, talvez a responsabilidade de uma marca tão significativa, ou ainda a constatação da finitude, não sei. Mas a verdade é que cada dia que passa me aproxima mais do tal quiosque finlandês. E assim tem acontecido com as pessoas a minha volta. Os desejos aprisionados ganham força, os sonhos acordam do seu estupor e vão abrindo as janelas para alçar vôo, ou arejar o ambiente. Sempre na virada do ano. Sempre envoltos pelo hálito quente do verão.

(Pela manhã, a primeira do ano bom recém-chegado, havia o encontro com os gatos no quintal, todos com cara de sono, espreguiçando seus corpos magros sobre o telhado do barracão de meu avô. Um dia, um deles sorriu para mim. Foi uma coisa muito estranha, o sorriso daquele gato. Ele não bocejou, não fez nenhum som, nenhum miado. Apenas sorriu, como quem dá bom dia, muito naturalmente. Nunca me esqueci daquela manhã. Nunca mais apaguei dos olhos aquela luz que despencava do céu como uma cachoeira. Um gato sorriu para mim, numa manhã de ano bom, há tempos, e eu, confesso, talvez aturdido com a atitude do felino, não sorri de volta.)"

Fonte: Miguel Falabella

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"Vitrines Gastronômicas"

Por Helena Vitória


Além do cardápio variado, os restaurantes capricham no requinte e praticidade dos ambientes para atraírem e preservarem o cliente. Com a concorrência acirrada neste setor, não basta apenas uma saborosa culinária: os aplausos só virão se as delícias oferecidas forem levadas à mesa muito bem arrumadinhas, em um local bem atraente. Para dar esse look excitante à comida, os restaurantes inovam seus espaços com o que há de melhor na culinária capixaba, transformando seus restaurantes em verdadeiras vitrines gastronômicas.

Na Praia do Canto, com um espaço bem charmoso e um cardápio variado, servindo desde comida japonesa, massa italiana, até os pratos mais triviais, está o Deboni’s, restaurante localizado na Rua Desembargador Sampaio. Segundo a família Deboni’s, o objetivo da rede é proporcionar ao cliente uma alimentação saudável num ambiente agradável. Funciona de segunda a segunda para almoço. Aceita-se cartões. Telefone: 8129-0233

Percorrendo a Praia do Suá, encontramos, no coração do bairro e no paladar dos moradores, o tradicional Restaurante São Pedro, na Rua Ferreira Coelho, nº 98, inaugurado na década de 50 e especializado em frutos do mar. Além das várias interpretações de moqueca, um dos predicados da casa é o recanto natural de paisagismo que mais parece uma reserva ecológica, proporcionando aos clientes a sensação de estarem ao ar livre. Funciona de segunda a segunda e feriados com almoço. De terça a sexta-feira, almoço e jantar. Aceita-se cartões. Telefone: 3227-0470.

Em Bento Ferreira, com localização privilegiada, está o Labaredas Restaurante self service, na Rua Engenheiro Fábio Ruschi, nº 93. Sobre um fogão à lenha, diferentes opções em carnes, legumes, massas, strogonoff, feijão tropeiro, feijoada e o tradicional ovinho frito, entre outros itens, são servidos diariamente. E para aqueles que não querem cair em tentação, lá está o balcão das saladas. Apesar de não ficar situado nas montanhas nem no campo, o fogão à lenha mescla com esse cardápio um saboroso churrasco, dando o tom bucólico ao local, que é totalmente climatizado. Não há um chefe de cozinha assinando os pratos. Há um responsável pela culinária, sob a orientação dos dois sócios Waldemar Nelson Hernandez Bartolini e Rogério Simões Araújo. Seu funcionamento é de segunda a sábado somente para almoço. Aos sábados e feriados, uma das opções são frutos do mar. Aceita-se cartões. Telefone: 3345-3934/3345-3478.



Um dos sócios, o Waldemar, é de nacionalidade uruguaia e, em seu país o churrasco é tradição. Daí, o carro chefe do cardápio do Labaredas, é o churrasco! Na churrasqueira aprecia-se e degusta-se os cortes caprichados, como o medalhão, filé ao alho, alcatra, picanha e outras iguarias da carne. Com essa referência o restaurante completou 11 anos de existência no dia 9 de agosto, sempre exercendo a “política da boa vizinhança”, como no dito popular.


Com essas diversidades de cardápios, percebe-se que a grande reviravolta mundial no universo gourmet se deu com a quebra de fronteiras entre os países, quando, tanto nos negócios quanto nos prazeres da culinária, os gostos foram globalizados. Com isso, quem ganha são os capixabas, pois o paladar não poderia ficar de fora.


Imagem: http://cazombando.blogspot.com/2011_07_01_archive.html

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Fabrício e Helena GANDINI

O blog “Eu e meus amigos imortais” registra aqui uma parceria que deu e ainda dá certo. Eles são amigos de longa data e estão sempre unidos: Fabrício Gandini e Helena Vitória. Gandini é formado em direito, mestrado em gestão de cidades e vereador pelo PPS no município de Vitória e Helena é atriz e jornalista. Eles trabalham juntos há nove anos e, acreditam no sucesso um do outro. Por isso, tal cumplicidade.

Helena revela que não esperava, mas se flagrou vivendo política 24 horas por dia, por conta do amigo. E o assessora politicamente agendando seus compromissos parlamentares e pessoais. Segundo ela, não é fácil conciliar suas agendas. E confessa ainda que, uma agenda parlamentar oscila quase como uma pauta jornalística. Às vezes, coincide de no mesmo dia e horário de um compromisso, surgirem outros tantos eventos que seria bom ele estar presente também. Por tratar-se de uma única pessoa, ela tenta conciliar que o vereador dê uma 'passadinha', se não em todos, em alguns deles.

Gandini (fabriciogandini.com.br) afirma que contar com a assessoria de Helena é fundamental no seu mandato, pois, construíram juntos uma plataforma de trabalho que, seria difícil desvincular uma coisa da outra. O parlamentar acrescenta ainda que, por ela ser atriz e viver a vida como se estivesse sempre em cena, contribui para encher de alegria o palco da sua vida.

Helena confessa que cuida dele como se fosse um irmão mais novo. Sua preocupação com o amigo, vai além dos compromissos de trabalho. Ela procura manter seu bem estar em todos os aspectos do cotidiano, evitando estressá-lo com situações que podem ser resolvidas sem envolvê-lo. “Boas amizades servem para isso também: preservar o outro”, afirma.

Como em todos os relacionamentos, o de amizade também não foge à regra. E, às vezes, nem tudo são flores entre esses grandes amigos. Quando os dois têm opiniões contrárias, o clima esquenta e eles quebram regras, discutindo. Porém, nada que os façam perderem a compostura. Para eles, as divergências servem como bússola para medirem o tempo de pararem e focarem no bom andamento do ambiente de trabalho.

Às vésperas do dia do amigo, 20 de julho, eles deixam registrado que “amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito... Dentro do coração...”. Assim canta Milton Nascimento.



Foto: Cerimonial Gazebo - 09/07/2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nosso Entrevistado, Marcílio Moraes!

Por Helena Vitória

O drama da existência humana, a provável influência das ideias pessimistas de vários escritores dos séculos passados, o desejo do homem de fugir da realidade, o mal-estar trazido pelo capitalismo, às vezes, é daí que artistas de diversas áreas e autores da contemporaneidade costumam buscar suas inspirações. Será?

O blog “Eu e meus amigos imortais ” abre aqui um espaço para bate papo e o faz no propósito de promover a aproximação e a troca de ideia. Assim, é possível conhecer melhor quem é de casa. Nosso entrevistado é o professor,escritor, jornalista, dramaturgo, crítico de teatro e roteirista Marcílio Moraes. Em sua trajetória no universo da irrealidade, escreveu inúmeros trabalhos ao lado de mestres como Dias Gomes, Euclydes Marinho, Leonor Basséres e muitos outros. Na galeria de suas assinaturas, destaque para: Roque Santeiro, Roda de Fogo, Mandala, Sonho Meu, As Noivas de Copacabana e Chiquinha Gonzaga, na TV Globo. Vale ainda lembrar de Essas Mulheres, Vidas Opostas, A Lei e o Crime e Ribeirão do Tempo, na Record.

Esse fluminense de Petrópolis começou escrevendo revistas de bangue-bangue para serem vendidas em bancas de revistas, lá pela década de 70. Talvez, nessa época, não imaginava a dimensão do longo alcance que seu trabalho teria. É um escritor muito conhecido no universo da ficção, que transita bem pela nossa realidade. A trajetória de suas obras parte da consciência, destacando-se a narrativa conflituosa entre familiares, instigando o drama existencial. Não sabemos se ele também inspirou-se em alguma das fragmentações humanas mencionadas na abertura dessa matéria para contextualizar seus inúmeros trabalhos. Na conversa com esse profissional, que é ousado em suas escritas, os “amigos imortais” exalta a dramaturgia brasileira, analisando os muitos gêneros que permeiam sua linguagem.

Blog - Escrever uma trama é sempre um desafio?
Marcílio Moraes
- Depende da proposta. Se você quer simplesmente repetir as fórmulas, nem chega a ser um desafio. Mas se quer tentar algo novo, aí é desafio mesmo, porque a telenovela é cruel com os erros de cálculo. O público vai embora.

Você tem preferência por escrever minissérie ou novelas?
Eu prefiro a minissérie, porque é um produto mais sofisticado em termos de dramaturgia. Também gosto das novelas, com a ressalva de que às vezes se estendem demais.

Qual a diferença entre os dois estilos?
Na minissérie, o autor tem a oportunidade de desenvolver uma dramaturgia mais apurada, porque, em geral, é uma obra fechada, ou seja, você escreve todos os capítulos antes da gravação. E também são poucos capítulos, permitindo ação mais condensada e eficaz. A novela exige uma dramaturgia diferente, por causa do tamanho, o que às vezes leva ao esgarçamento das tramas. A minissérie é um estilo de concisão, enquanto a novela é o reino da prolixidade.

Vocês autores se cobram e se sentem cobrados a fazerem coisas cada vez mais criativas?
Todo autor, creio eu, almeja sempre fazer obras originais, mais criativas que as antecessoras. Nem sempre consegue. É difícil acertar integralmente, em especial quando se tenta inovar. Daí, a tentação de repetir o que já deu certo outras vezes.

Em sua opinião, o que falta hoje na TV brasileira?
Em termos de dramaturgia, faltam tramas mais críticas. Há muita repetição e pouco apelo à inteligência dos espectadores.

E o que sobra?
Também em termos de dramaturgia, que é o terreno em discussão, sobra o rame-rame de sempre, a repetição de fórmulas, o deja-vú.

O Brasil é mesmo o país das telenovelas? Como explicar essa paixão do brasileiro?
Realmente somos o país das telenovelas. Alguns anos atrás, escrevi um artigo para o Estado de São Paulo chamado O país do folhetim: ttp://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=318ASP013 . Não creio que exista outro lugar em que todo o horário nobre da principal, quase monopolista rede de TV, seja ocupado por telenovelas. A TV Globo dominou a programação com este modelo. Hoje em dia é difícil escapar da chamada "programação horizontal". Concorrer com uma telenovela com outro tipo de programa é extremamente difícil, porque a novela está ali todo dia, durante meses, trabalhando com as técnicas folhetinescas sobre a curiosidade e também sobre a acomodação do público.

Você costuma viajar pela ficção como se fosse essa a realidade que a sociedade busca?
Não. Minha postura é sempre irônica e crítica. Gosto mais de tirar o chão do espectador do que oferecer um universo ficcional em que se sinta confortável.

Existe algum texto seu que, por um motivo ou outro, tenha sido engavetado? Existem alguns. Desde textos teatrais proibidos pela censura no passado a sinopses de novelas que não foram aceitas.

Ao acompanhar suas obras, percebe-se uma linguagem bem coloquial e irônica. A base disso está no cotidiano?
A novela tem que ter sempre uma linguagem próxima do coloquial. Quanto à ironia, acho que é minha marca registrada.

Do seu recente trabalho, “Ribeirão do Tempo”, qual foi o ponto de partida da pesquisa para a composição dos núcleos e dos personagens?
O ponto de partida? Difícil dizer. Não houve propriamente uma pesquisa. Eu quis construir uma cidade pequena, com tipos brasileiros, mais ou menos inspirados em pessoas que conheci ao longo da vida, mas sem nenhum compromisso de semelhança. E aí, a história, os núcleos e os personagens foram tomando vida. Inseri na trama os esportes radicais de que gosto e, brinquei com a cachaça porque sempre apreciei essa bebida.

Às vezes parece que é ficção e, de repente, vemos situações corriqueiras que nos cercam no dia a dia. É esta a proposta de Ribeirão do Tempo?
Não é a proposta. Como disse, não tive nenhuma preocupação com verossimilhança. Mas é bom quando acontece, ou seja, quando o espectador reconhece uma situação corriqueira naquilo que saiu unicamente da minha imaginação. O que não é de espantar, porque eu vivo no mesmo mundo do público.

O que você leva do Marcílio Moraes para os seus textos?
Acima de tudo, minha visão irônica da vida. Eu acredito que a vida não pode ser integralmente levada a sério. Pessoas que se levam muito a sério, frequentemente são perigosas. Por isso, meus personagens, a toda hora, se veem lembrados de que não são tão bacanas quanto se imaginam. Tiro humor disso.

Foto: Acervo do entrevistado

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mais um fim de ano!

Por Helena Vitória



E, com ele, a reposição de energias, a reflexão sobre antigos comportamentos, a comemoração de vitórias, a mudança de formas de pensar, a vontade de ser melhor, a renovação da esperança no futuro, o estabelecimento de novos objetivos e sonhos, e a crença de que todos serão concretizados. O término de um ano e o início do outro é separado somente por um instante. Um segundo atrás, 2010; no seguinte, 2011. Mas esse momento, para grande parte das pessoas, é especial, pois representa uma série de novas possibilidades... A vida é feita de etapas e a minha não poderia ser diferente. Em 2010 eu alcancei vitórias que aos olhos humanos pareciam impossíveis. Venci medos, superei mitos, e cheguei ao meu objetivo, apostando no invisível como descreve “Hebreus”, um dos livros bíblico no capítulo 11.

Apesar das comemorações natalinas me deprimirem e eu prefirir o silêncio, um cantinho e um violão, ainda assim, meu desejo é que tudo que aconteceu (de bom ou ruim) com você no ano que se finda, possa de alguma forma te ajudar a refletir e caminhar para um 2011 cheio de amor.

Eu acredito no amor. Quero e preciso ser feliz. Boas festas queridos amigos!